Garimpando a Historia Superman: O Mundo de Krypton de John Byrne Destaque

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A Minissérie começa por nos levar ate o um ritual de passagem, onde Van-L, antepassado de Jor-El, e Kal-lel, atingira a maturidade se tornando um homem segundo as tradições da então ampla e cientificamente evoluída sociedade Kryptoniana, cuja base de sua medicina era o uso de clones para transplantes de órgãos danificados pelo envelhecimento, doenças, e acidentes, prolongando assim a vida. A pratica dos transplantes já era antiga no planeta, assim como a oposição de Sen-M e sua Liga da Vida, que preferiram ter uma morte natural, a ter que usar as ate então barbaramente chamadas peças de reposição. A Técnica consistia no seguinte, cada filho de Krypton que nascia doava três células de seu corpo para criar suas duplicatas, totalmente destituídas de uma mente e vontade própria. O que começa a gerar protestos, de uma forma inicial pacifica. Logo, o ideal, e importância, mas não a essência pacifica da causa, se espalham por grande parte da população que se coloca contra essa pratica, por considerar que esses clones tem direitos iguais a qualquer cidadão kryptoniano.

O planeta afundando no caos, e violência, mergulha de vez na guerra quando Nyra, a mãe dominadora, e déspota, resolve finalmente casar seu único filho Kan-Z, o problema, e a forma como será concebido tal matrimonio, e a noiva escolhida para essa união, revelando-se uma bizarrice total.

 Após salvar a vida de Bara, por quem parece ter uma afeição especial, Van-L encontra Kan-Z no hospital, que parece profundamente alterado, sua condição piora e seu semblante se torna ainda mais carregado com uma noticia misteriosa trazida por um dos “Médicos” na verdade robôs especialmente criados para esta função, talvez assim evitando o fator de erro humano, algo cada vez mais raro em Krypton, o fator humano.

O mistério tem seu fim durante a festa de passagem de Van-L, quando Kan-Z invade a cerimonia assassinando sua própria mãe, chamando-a de traidora diante de todos, e tornando publico seu delito. Descobre-se então que sua futura esposa, também assassinada por ele, seria um clone de sua querida, e possessiva genitora, que cometendo um crime segundo as leis de Krypton, jamais poderia ter retirado um clone inteiro de sua câmara incubadora, apenas partes deste para, como eu já disse anteriormente, reposição, levando assim a Sen-M e posteriormente Kan-Z a considerar tal ato comparável ao canibalismo. Tal atitude de Nyra demonstra para os regentes mais antigos de uma sociedade tão fria, e para o povo de Krypton, que os clones poderiam sim ter mente, sentimentos, e que eles realmente tem direito a vida. Em uma sociedade tão evoluída, algo imensamente primitivo como esse conceito antropófago, acaba soando de uma forma tão aterradora e inadmissível, que mais simpatizantes a causa anti-clônica de Sen-M, julgada terminada com a sua morte natural milênios antes da geração de Kan-Z, ganha força suficiente para quebrar algo de suma importância para a evolução dita como primordial para a existência Kryptoniana, eclodindo assim em consequências de efeito global. Fato este de proporção tal que a revolução muda parâmetros de sobrevida no planeta.

Essa forma de transplante vista de uma ótica realista, já que em nossos dias falamos de clones, e células tronco, vislumbrada por olhos externos a obra de John Byrne, ou seja trazendo essa ideia para os nossos dias tornar-se-ia algo inconcebível por uma sociedade ate então, mesmo que muitos não aceitem, demagogicamente religiosa e falsamente moralista.

As próprias gerações seguintes, visto que um lapso temporal de uma geração kryptoniana pode ser de milhares de anos ate a próxima descendência da casa de EL, já que o controle de natalidade era rigoroso, exemplo, para cada um que morresse em Krypton, um casal era escolhido para gerar, não de forma natural claro, um futuro descendente, como foi o caso de Jor El e Lara, para substituir o homem ou mulher que morrera, sim a partir daquela geração era possível se morrer naturalmente em Krypton, fato este, ou ate mesmo um direito este conquistado ao preço de milhares de vidas sacrificadas diante da revolução iniciada por Sen-M e sua Liga da Vida, e depois encabeçada pelo próprio Kan-Z.

O reverberar da revolução clônica chegara ate a geração de Jor El através da historia de seu planeta, e das constatações de seu avô Van-L, que de inicio a favor da clonagem, mas depois de duras constatações percebera a verdade e suas consequências apocalípticas. A revolução havia vencido, mas ainda sim as coisas não pareciam corretas em uma sociedade mecânica, onde sentimentos não eram proibidos, mas sim haviam sido esquecidos, substituídos por protocolos de simples procriação. Seres racionais pareciam animais sentindo apenas a necessidade de dar prosseguimento a sua descendência. Não havia amor. Não pelo menos ate Jor El conhecer Lara, e juntos conceberem Kal-lel. E por ele empreenderem um sacrifício tipicamente humano, tão anormal aos costumes kryptonianos...seu filho viveria enquanto eles pereceriam junto com sua terra natal. Selando assim os últimos instantes de Krypton com um ato simples para nós, mas improvável e contra os hábitos rotineiros de sua sociedade, um beijo.

Talvez tão improvável quanto o próprio toque, a paixão, a caricia, o afago, seja o fato de alguém de um planeta tão distante, e tão avançado em todos os setores, leis, sentidos, e forma de vida, se tornar imensamente humano a ponto de poder derramar uma lagrima por um lar que não conheceu. Jor-El escolheu com cuidado. Entre milhares de planetas ele escolheu a terra, o mais atrasado entre todos, mas também o mais parecido com a essência de Krypton. Mas não apenas por isso, não era um lugar onde Kal-lel somente passaria seus dias infindáveis, Jor-El havia compreendido algo a muito esquecido por seu povo, a paixão, independente de qual fosse ela, senti-la, descobrir todo seu potencia em todas as suas formas o tornava completo. Esse fora o legado de Jor-El a seu filho, que não seria mais Kal-lel de Krypton, mas sim Clark Kent do planeta Terra. Viver, esse sim com certeza é o maior legado de um pai para um filho.

 

Se você ficou curioso e quer saber mais detalhes a respeito desta obra fantástica de John Byrne, que tem influenciado varias mídias a respeito da origem do Homem de Aço, procure a Minissérie em 4 edições Superman O Mundo de Krypton de John Byrne com desenhos de Mike Mignola, e arte final de Rick Bryant vale a pena.

Última modificação em Domingo, 14 Fevereiro 2016 23:03

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