Mergulhando em uma Piada Mortal Destaque

 

So say we all

A genialidade de Allan Moore é para muitos, inclusive para mim, indiscutível. Por isso não falaremos dela aqui e agora. Mas sim de seu legado, porque esta com certeza é uma de suas historias mais emblemáticas e mais misteriosas.É sempre delicado quando se toca no cerne de uma questão  obscura, e sinistra como a loucura, a demência. Um lado da mente humana que vem a tona de varias formas diferentes e inimagináveis.

O significado da palavra insano vem do latim insanu (louco). Insano também pode ser aquela pessoa que não está sã de espírito. Pode ser também interpretado como “doido varrido”.
É um estado que impede de se ter uma percepção normal ou de interagir socialmente de forma adequada. Pode-se dizer que insano é também o oposto do significado da palavra coragem, uma vez que ela refere-se à firmeza e bravura de espírito para que as pessoas enfrentem quaisquer situações emocionais ou moralmente difíceis. Já agir insanamente perverte o sentido dessa afirmação.

Insano significa também pessoa louca, que age sem pensar, demente, doida, alienada, tresloucada, desatinada, maluca, irresponsável, desequilibrada mentalmente, confusa.
Para os cidadãos da mitologia grega, os insanos eram considerados pessoas possuídas por deuses que os faziam de bonecos. Essa possessão era denominada de “manias”, o que leva a entender que a pessoa não agia por si mesma, mas por outra entidade que fazia o que queria dela!
Na gíria popular insano quer dizer que algo foi muito legal ou irado. O oposto do real sentido da insanidade.

 

Um homem no seu cotidiano, acorda, come, trabalha, tem esposa, filhos, problemas, e segredos. Cheguei a um ponto interessante. Certos segredos são como demônios que você enfrenta todos os dias, uns são menores e mais fáceis de lidar, esses que causam apenas vergonha, embaraço, pequenos erros que se descobertos podem te prejudicar, não a ponto de mudarem sua vida drasticamente, mas sim apenas ferirem seu ego, seu orgulho. Pequenos segredos que com o tempo e maturidade, e acima de tudo já com uma segurança seja no que for, ou confiança, seja em quem for, o cidadão acaba confessando e tudo por fim termina em risos.

Mas, entretanto, existem aqueles segredos que te acompanham a vida toda, te sugam, e atormentam, coisas que de repente você precisa fazer, coisas que te enlouquecem. Você então olha para os lados, não percebe mais as coisas com clareza, aquele algo oculto, reascendido por uma fagulha qualquer, seja qual for, algo relacionado ao que você guarda em sua mente, algo conectado a você que te empurra do fio da navalha em direção ao abismo profundo, de onde você sente vontade de gritar. Um labirinto gigante sem saída, onde as paredes são enormes, impenetráveis, e escorregadias, não há como escalar, o ar parece rarefeito, enquanto você olha para o teto, e este parece estar cedendo sobre sua cabeça. Você tenta gritar mas ninguém te ouve. Este processo que vai se desenrolando lentamente para todos ao seu redor, parecem segundos para você, anos se passaram para todos, e segundos apenas para você, isso é a degradação. Você esta em uma cela com apenas uma saída, uma única saída sem volta, a insanidade. Assim nascia o coringa e sua mensagem, “Loucura é a saída de emergência” na magnifica obra de Allan Moore, A Piada Mortal.

Certos problemas podem levar a estratagemas desesperados, em busca de soluções urgentes, para questões de importância crucial. O velho comediante, morando em um bairro ruim, com sua esposa gravida já a três meses de dar a luz a seu filho, tenta vencer na vida fazendo os outros rirem, mas a sociedade julga e condena pessoas assim que rotulam como fracassados. Acredite, se soubessem o que estaria por vir, eles realmente iriam preferir rir do pobre diabo, do que chorar com a dor de suas atrocidades no futuro. Mas o problema maior e quando os efeitos colaterais de suas ações insanas afetam pessoas alheias e inocentes a seus conceitos bárbaros de moralidade, quando uma de suas vitimas ao olhar para um brilho que beira ao sadismo, mas ao mesmo tempo denotam um vislumbre de controle de atitudes, quase como se soubesse e fosse responsável por seus atos, uma pequeno fragmento de loucura banhado a certos lampejos de sanidade, consumidos por um prazer macabro em torturar.

O desesperado comediante, incapaz de matar uma mosca, se transformaria, não por causa de produtos químicos, mas sim em resposta a sociedade que o julgou, e o maltratou, uma atitude apenas, a falta de risos, e sorrisos nos rostos de seus expectadores, sim sorrisos, mais do que a dor, este com certeza é o penhor máximo de suas atitudes psicóticas. Sempre sorrisos, eis o motivo forte de toda a sua demência, sorrisos. A esposa morta, o corpo, a mente e a alma deformados, e uma única obsessão, fazer todos sorrirem de um jeito ou de outro.

 

A Paixão do homem que deixara de ser um simples comediante para se tornar o Coringa, foi devido a algo simples, a falta de sorrisos. Barbara Gordon baleada, e presa em uma cadeira de rodas, Jim Gordon sequestrado e nu em um parque, e Batman tão louco quanto o palhaço do crime disposto a tudo para por um ponto final em uma disputa que consumira a ambos por décadas. O homem morcego diante de uma afirmação desesperada de um outro homem sem esperanças que se agarrava a algo que se tornara com o passar dos anos sua zona de conforto, a sua própria loucura. “Como é bom ser louco” Disse ele. Loucura é a saída de emergência.

Será que somos todos loucos? O que julgamos por sanidade ao enfrentar certos desafios quase impossíveis de vencer seria na verdade a loucura? E se a loucura que julgamos não estar acontecendo já se estabeleceu e nem notamos? 

Fica a pergunta...Será que já não pode estar acontecendo?

 

Última modificação em Terça, 26 Julho 2016 01:53

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